Mostrando postagens com marcador seguro contra sequestro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador seguro contra sequestro. Mostrar todas as postagens

28 de outubro de 2008

Caso Eloá pode criar o negociador das seguradoras

Fonte: Diario do Comercio - Belo Horizonte - Data: 27-Out-2008

O trágico seqüestro da adolescente reabre debate sobre o seguro-resgate.

No último dia 13 de outubro, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia do Ministério da Fazenda, autorizou a venda de seguros nos casos de extorsão mediante seqüestro, o chamado seguro-resgate. Mais do que a criação de uma proteção securitária individual, a medida abriu a possibilidade para o surgimento de um gerenciador de crise ou negociador particular especializado em lidar com esses tipos de crimes, uma função exclusiva da polícia. Especialistas acreditam que a negociação continuará sendo exercida pela polícia, mas agora ela poderá ser acompanhada de perto por um representante da empresa de seguro. A decisão da Susep ainda será regulamentada, ou seja, necessita de regras específicas do seguro e atuação desses profissionais contratados pelas seguradoras. A autorização do seguroresgate surge no momento em que a opinião pública discute a eficiência da Polícia Militar diante do seqüestro e morte da adolescente Eloá Pimentel, de 15 anos. A ação tem sido duramente criticada, com suspeitas de falhas na ação.Hoje, tanto o seguro quanto o negociador são proibidos no Brasil. Porém, aumenta a procura por esse tipo de caso, motivado pelo calor da discussão do caso Eloá e também pelo número crescente de empresários preocupados com a própria segurança em viagens a países como a Colômbia, que é a líder mundial de seqüestro. Em seguida aparece o México, a Rússia e, em quarto, o Brasil. Na Colômbia, por exemplo, existe o seguro, mas não há o negociador de seqüestro. Ao que tudo indica, o Brasil deverá adotar um modelo parecido e muito diferente do modelo adotado pelos Estados Unidos, que possui a figura do negociador particular. Esse é o consenso entre alguns especialistas consultados pelo eles, o "negociador" não fará contatos telefônicos com seqüestradores. De acordo com o diretor-executivo da empresa de segurança pessoal NSA Brasil, Hugo Tisaka, o papel desse profissional será de auditar o seqüestro e autorizar (ou não) o pagamento do resgate."Em tese deve funcionar assim: A família paga o resgate e a seguradora reembolsa. No entanto, a decisão de devolver o dinheiro deverá passar por uma aprovação do representante da seguradora. E ele que deverá analisar se houve o seqüestro ou se é uma fraude", afirmou Tisaka. Tisaka afirma que a atuação dele será restrita. "Ele fará algumas gravações, uma investigação parcial. Sem negociação", disse o especialista, que acredita que esse profissional terá noções policiais com um altíssimo aprendizado em Direito Criminal e seguros e resseguros. Para o advogado e especialista em seguros e resseguros Luiz Bojunga é prematuro avaliar as funções desse pro fissional e sua f ormação curricular. Até porque esse tipo de mecanismos para combater as fraudes seguro será secreto, segundo sua avaliação."Tudo depende da demanda. Esse tipo de seguro é muito específico, com vários critérios de avaliação de valores. Por isso, é difícil avaliar os profissionais envolvidos. No entanto, acho difícil que eles interfiram no trabalho policial", afirmou.Fraude - O desembargador e presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apa- magis), Nelson Calandra, defende o seguro em caso de seqüestro, mas alerta para possíveis tentativas de fraudes contra seguradoras e citou até mesmo um caso que ocorreu nos Estados Unidos. "Um homem fez um altíssimo seguro e tentou simular o próprio assassinato. Houve até um enterro simbólico no Brasil. A seguradora investigou e descobriu a fraude", afirmou Calandra. O desembargador projeta ainda problemas no pagamento desse tipo de seguro. "Acredito que haverá questionamentos sobre a veracidade dos casos. Afinal, esse tipo de seguro deverá ser voltado ao grupo de pessoas restrito, com alto poder aquisitivo", disse Calandra. A atuação de empresas que oferecem seguros-resgate no país não é uma novidade. Em dezembro de 1989, o sócio e conselheiro do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, foi vítima de seqüestro. Anos depois, em 2002, o alvo foi o publicitário Washington Olivetto. Em ambos os casos, as vítimas foram libertadas. Porém, os seqüestros foram emblemáticos por expor a atuação (e existência) da empresa de gerenciamento de crises e segurança particular, a britânica Control Risks. A empresa ganhou notoriedade por oferecer um seguro contra seqüestro e a atuação de um profissional treinado em recolher informações dos criminosos, das vítimas e até em negociação de seqüestro - uma espécie de negociador particular. Nunca houve confirmação da participação da empresa na negociação e a polícia ganhou o mérito na libertação dos empresários Olivetto e Diniz.