13 de setembro de 2011

O mundo mudou e os seguros também.

Fonte: O Estado de S. Paulo - Antonio Penteado Mendonça

O atentado de 11 de setembro impactou não só os Estados Unidos e o Oriente Médio, mas também a apólice de seguros de pessoas comuns e empresas em todos os países, incluindo o Brasil

Depois de 11 de setembro de 2001 o mundo nunca mais foi o mesmo. Osama Bin Laden acertou o alvo, derrubando as duas torres do World Trade Center. Com elas ruíram os valores morais que embasavam a única superpotência remanescente da guerra fria.

Sem rumo, sentindo na pele os estragos e a humilhação de um ataque ao seu território, o que não acontecia há quase 200 anos, os Estados Unidos abandonaram os princípios que o fizeram o grande campeão da liberdade, trocando o respeito pelo cidadão, o direito de ir e vir e a inviolabilidade do lar por leis espúrias, que agrediram a alma da nação e a deixaram exposta a todos os tipos de violência, praticados contra ela por seus próprios governantes.

Como não conseguiram localizar o responsável direto pelo ataque, o primeiro revide foi contra o Afeganistão e o segundo, a invasão, sem qualquer base legal ou fática da existência de armas de destruição em massa, do Iraque.

As duas guerras, por mais que digam que estão encerradas, continuam em andamento, com soldados e "marines" americanos ainda em ação e mais de três trilhões de dólares de custo para o país - sem que haja no horizonte a certeza de que valeram a pena, ou que, ao menos, tenham ajudado a marginalizar movimentos terroristas.

Mais grave do que isto, foram votadas leis que ferem diretamente o espírito da Constituição, permitindo o encarceramento de prisioneiros sem culpa formada, a escuta telefônica sem autorização, além da alocação de verbas milionárias para sustentar o esforço de guerra, parte das quais já se sabe foram ilegalmente desviadas.

Não tinha como ser diferente: os estragos do 11 de setembro impactaram direta e indiretamente o mundo dos negócios. Entre eles, a atividade seguradora foi fortemente atingida, primeiro pelas altas somas das indenizações e, na sequência, quando os prejuízos do atentando a Nova Iorque começaram a ser discutidos na Justiça.

É verdade que a ordem de grandeza envolvida e a forma como alguns seguros tinham sido contratados obrigavam a este desfecho, mas a simples propositura das ações envolvendo a indenização direta das duas torres levantou dúvidas sobre a credibilidade das seguradoras e de sua capacidade de fazer frente a eventos similares.

Não há como separar as crises de 2008 e a atual do atentado de setembro de 2001. Ainda que não estejam intimamente ligadas, as causas e efeitos se confundem e servem para explicar a leniência das autoridades frente à explosão artificial que foi criada em cima dos derivativos e da bolha imobiliária.

Seguradoras e resseguradoras sentiram diretamente as consequências do novo cenário. A maior seguradora do mundo e segunda empresa financeira por valor em bolsa de valores - a AIG - simplesmente quebrou e, se o governo norte-americano não toma as medidas necessárias para salvá-la, em função de seu portfólio, o sistema bancário teria ficado em situação muito pior do que a em que ficou.

Para finalizar os estragos diretamente causados pelo atentado de 11 de setembro, o setor de seguros se viu diante de riscos que estavam muito próximos da capacidade do mercado mundial, como foi o caso dos seguros aeronáuticos, logo após os atentados.

As apólices dos países ricos, daí para frente, mudaram de cara.

Passaram a ter exclusões para atos de terrorismo, o que até o 11 de setembro não acontecia, além de vários tipos de risco estarem custando mais caros, apesar das coberturas menos abrangentes atualmente oferecidas.

Como se não bastasse, a natureza decidiu que era hora dela também entrar no jogo. De 2002 para cá o planeta foi chacoalhado por tsunamis, terremotos, vulcões, nevascas, granizo, tempestades tropicais, furacões, vendavais, tornados, ciclones, tempestades de verão, tempestades de inverno, enchentes, deslizamentos de terra e o mais de origem natural, passível de causar dano ao ser humano.[2]

Resumindo, entre mortos e feridos, de 2011 para cá quem perdeu foi o mundo organizado e, querendo ou não, o Brasil faz parte dele.