21 de setembro de 2011

Vai viajar e o Dólar a R$ 1,80, e agora?

Fonte: Folha.com

Registrando alta de mais de 14% em setembro, o dólar comercial ultrapassou, nesta quarta-feira, o valor de R$ 1,80. É o seu maior patamar desde meados de 2010.

Confira as respostas dos especialistas para as principais dúvidas de quem vai viajar ao exterior (ou acaba de voltar de um passeio a outro país) e orientações para administrar melhor os gastos em moeda estrangeira:

Diz-se, nas notícias, que o dólar está perto de R$ 1,80, mas, ao buscar a moeda nas corretoras e nos bancos, informam-me preços em torno de R$ 1,90. Por que existe tamanha diferença?

Como referência para a cotação da moeda americana, considera-se o preço do chamado dólar comercial, que no entanto só é aplicado em transações de empresas (importadoras, exportadoras, multinacionais etc).

Para o viajante, vale o dólar turismo, que segue a tendência (elevação ou queda) do comercial, porém sempre sai mais caro. Esse é o valor empregado também no carregamento de cartões pré-pagos e na cobrança, pelas administradoras de cartão de crédito, das compras realizadas fora.

Dica: As cotações são estabelecidas livremente pelas instituições financeiras e seguem as regras de mercado. Então, pechinchar (ameaçando comprar as divisas em outro estabelecimento que está dando desconto) costuma funcionar bastante. Pesquise muito os preços --é cômodo comprar direto com o gerente do banco no qual se tem conta, claro, porém outra instituição pode oferecer valores melhores.

O dólar vai voltar a cair ou deve subir mais?

É impossível prever, porque, como todo evento econômico, depende em última instância do comportamento humano. No presente caso, das decisões dos líderes mundiais a respeito da crise global, a qual se teme que piore.

Mas os empresários e as instituições financeiras no Brasil estimam que as cotações terminarão o ano mais próximas de R$ 1,65. Até lá, segundo as projeções dos analistas, dificilmente retornariam ao nível de R$ 1,50 verificado no final de julho; as chances de atingirem R$ 2 são, igualmente, menores.

Então, como deve agir quem pretende viajar?

Da maneira usualmente recomendada: ir comprando divisas aos pouquinhos. “Por exemplo, se a viagem está programada para dezembro, o turista pode adquirir a cada mês um terço dos valores que deseja juntar no total”, ensina Alexandre Milanov, gerente de câmbio turismo da TOV Corretora. Assim, obtém-se, ao final, um valor médio razoável.

É bom que o viajante acompanhe as notícias sobre a crise para não ser pego de surpresa; entretanto, ficar o tempo todo preocupado com esse tema, tentando descobrir o momento exato de queda das cotações, não vale a pena, por causa do estresse --nem os grandes experts do mercado financeiro conseguem acertar com precisão. Deixar para a última hora, na expectativa de conseguir peço melhor, também não é indicado: além da possibilidade de pegar o pico dos valores, na correria não dá para pensar e pesquisar direito.

E se a minha viagem está marcada para as próximas quatro semanas, o que fazer?

O mesmo, dividindo as compras no período. "Veremos muitas oscilações da moeda americana ao sabor do desenrolar da crise, mas no curto prazo a cotação deve permanecer elevada", afirma Mauro Araújo, diretor da corretora Vision.

Vou para a Europa ou para a Argentina. A tendência é de alta também para as divisas desses lugares?

Sim. O real está perdendo valor ante essas moedas. Aí as recomendações são iguais às dadas para quem precisa comprar dólar.

Acabo de voltar de viagem do exterior, e fiz muitas despesas no cartão de crédito. Existe alguma maneira de minimizar o prejuízo com a elevação do dólar?

A cotação do dólar usada na conversão desses gastos é a do dia do fechamento da fatura. Portanto, pode ser que até esse momento os valores recuem um pouco. Ocorre, ainda, um ajuste posterior considerando o preço da moeda na data do efetivo pagamento da conta –ou seja, na fatura seguinte incluem-se os estornos ou os acréscimos referentes à variação das cotações entre a data da emissão e a da quitação.

Não compensa pagar só o mínimo da conta, esperando que depois o dólar abaixe, porque os juros de refinanciamento do cartão oscilam entre 10% e 13%, fora outras tarifas. É adiar o problema, com chances de piorá-lo.

Quem ainda vai viajar deve preferir comprar moeda em espécie, usar cartão pré-pago ou cartão de crédito no exterior?

Muitas vezes, o viajante adquire antes apenas os montantes correspondentes a uma parte pequena das despesas previstas e deixa para comprar mais no cartão de crédito, durante o passeio, e pagar no retorno. Porém, em tempos de tanta incerteza, uma ideia interessante para o turista é, no seu planejamento, distribuir mais equanimemente entre a cotação atual da moeda (espécie e pré-pago) e a futura (cartão de crédito) os gastos que pretende fazer. É preciso ficar atento às tarifas: na primeira situação, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é de 0,38%; no segundo, de 6,38%.


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